No último dia 24 de outubro, o Mercado Eletrônico realizou o segundo episódio do Conexão Compras, o talk show do mercado B2B. O objetivo do programa é trazer profissionais e especialistas da área de compras para dividir suas experiências, falar sobre tendências, práticas e desafios do dia a dia de trabalho.

A convidada da vez foi Daniela Ferreira, head de compras na Bridgestone, que possui mais de 10 anos de experiência em compras e inteligência de mercado, e está concluindo seu mestrado em Administração com ênfase em Indústria e Procurement 4.0.

O tema do debate foi Procurement 4.0: como a área de compras está se posicionando frente às novas tecnologias e à transformação digital. Durante a conversa, Luiz Gastão Bolonhez e Daniela falaram sobre assuntos como o “Cenário 4.0 no Brasil e no Mundo”, “Tecnologias e inovações na área de compras”, “Desafios e riscos da implementação da tecnologia em compras” e “Gestão de pessoas no mundo 4.0”.

Agora, você acompanha aqui no blog os principais pontos abordados no bate-papo. E se quiser assistir à conversa na íntegra, basta acessar este link!

Cenário 4.0 no Brasil e no Mundo

Daniela começou a conversa falando sobre a mudança de comportamento do mercado e usou a indústria automobilística como exemplo. Antes, na hora de comprar um automóvel as pessoas levavam em conta a performance do veículo, o motor (1.0, 1.6, 1.8 etc), a potência etc. Hoje em dia, elas também querem saber sobre a conectividade, kit multimídia e outras funções. A mesma evolução de comportamento acontece no segmento B2B. Compradores e fornecedores precisam estar atentos, pois as relações mudam à medida que o mercado também muda.

Todas essas mudanças estão acontecendo devido ao cenário 4.0, que traz com ele muitas novidades. Porém, como tudo que é novo, os avanços tecnológicos acabam despertando muitos questionamentos, tanto no Brasil quanto no mundo. Qual a melhor tecnologia? Como fazer a implementação? Será que essa mudança será boa para a empresa? Qual será o papel do comprador neste mundo digitalizado?

A única coisa que difere nosso país dos demais é em relação à parte burocrática e tributária, uma vez que o Brasil apresenta mais barreiras e complexidades para aderir à inovação e, assim, dificultando a digitalização das empresas.

O papel do comprador

Uma dúvida recorrente é “qual será o papel do comprador no mundo 4.0?”. Para Daniela, a função do comprador já mudou e mudará cada vez mais. O profissional deixará de fazer atividades mecânicas e cansativas, e começará a atuar de forma estratégica, cultivando as relações com os fornecedores, trazendo inovação e novos negócios para dentro da empresa.

A posição estratégica sempre foi a que o comprador deveria ocupar, mas nunca teve tempo. Agora, será possível desempenhá-la com a ajuda dos avanços tecnológicos.

Tecnologias que já influenciam a área de compras

Não tem como fazer parte das disrupções e das mudanças que estão acontecendo sem ter acesso às ferramentas e à conectividade.

Atualmente, as tecnologias que estão mais influenciando a área de compras são a cloud computing, pois traz mobilidade para o setor, a internet das coisas, que faz com que os processos se conversem, e os dados, que têm o poder de nortear as decisões e mapear os clientes.

Juntas, essas três tecnologias oferecem agilidade para o dia a dia de compras, possibilitando que o profissional tenha mobilidade e fique mais próximo do usuário sem perder as negociações e as atualizações do mercado.

Inteligência artificial na área de compras

Muitas pessoas acreditam que a inteligência artificial será responsável pela tomada de decisão da área de compras, o que não é verdade.

Obviamente, esta tecnologia possui a automatização necessária para isso. Porém, atualmente, dentro do setor, é necessário levar em conta inúmeras variações, desde o cenário de médio e longo prazo até o tributário e outras inconstantes.

Entretanto, é possível utilizar a tecnologia para otimizar alguns processos e torná-los mais fluídos, eliminando trabalhos repetitivos.

O risco de utilizar 100% a inteligência artificial é o mercado mudar sua maneira de se comportar e os algoritmos permaneceram funcionando do mesmo jeito, até que algo dê errado.

Por isso, é essencial ter mão de obra humana para avaliar todas as possibilidades.

Procurement x E-procurement: os desafios da transformação

Um dos grandes desafios que as empresas encontram é colocar em prática o plano da transformação digital. Ou seja, realizar a migração do off-line para o on-line sem deixar de lado as tarefas importantes do dia a dia.

Durante esta mudança, é comum que os processos instalados sejam questionados. Para suportar e suavizar essa transição, é importante que os líderes mantenham as equipes motivadas, pois as mudanças, enquanto não são concluídas, causam dificuldades que acabam influenciando de ponta a ponta o setor.

Procure ressaltar os ganhos que a equipe terá, após a conclusão dessa transformação.

O perfil do comprador do futuro

O comprador não vai poder pensar apenas em cotações e pedidos, ele precisará levar em conta o cenário da empresa e do mercado, sempre pensando em médio e longo prazo.

O profissional de compras deixará de ser avaliado pela quantidade de pedidos e por quantas requisições realiza por minuto. Não que isso não seja importante, mas essa responsabilidade será das plataformas com algoritmos. O profissional precisará pensar em como melhorar os processos, em como agregar para trazer negociações e contratos melhores.

Um dos principais skills para o comprador será o quanto ele consegue se relacionar com os fornecedores, fortalecendo os laços e fomentando a inovação entre as empresas e incentivando a relação ganha-ganha para ambas as partes.

 

Este foi um breve resumo do segundo episódio de Conexão Compras. Para saber todos os detalhes da conversa, basta assistir, na íntegra, neste link.

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