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Não é de hoje que a sustentabilidade é um tema recorrente no mundo corporativo.

Consumidores, tanto do B2B quanto do B2C, têm se tornado exigentes não só em qualidade, mas também em questões de responsabilidade social, ambiental e inovação.

Eduardo Sanches, sócio da Diagma Consulting, explicou, no ME B2B Summit, a importância da sustentabilidade em compras para se manter vivo no mercado.

 

A sustentabilidade em perspectiva

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O mundo vive uma problemática econômica e socioambiental. Imigrações, superpopulação, desigualdade social, escassez de água, aquecimento global e tantas outras questões devem estar na agenda de empresas que querem ser parte integrante do futuro.

Na era pré-industrial, destruíamos uma espécie da biodiversidade por ano. Hoje, destruímos 100 no mesmo período de tempo.

Diante desta realidade catastrófica, é necessário mostrar que a economia pode sim gerar o bem-estar da humanidade. Empresas devem fazer esforços para incluir todo mundo em um espaço único, justo e seguro, e ter em mente que sustentabilidade não é o menor custo, mas o melhor custo.

 

Sustentabilidade afetando os modelos de negócios das empresas

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Antigamente, os modelos de negócios definiam o quão sustentável uma empresa poderia ser. Hoje, o sentido é inverso.

É a lógica da sustentabilidade que define os modelos de negócios das empresas do futuro, tanto é que os nomes exponenciais (aqueles que deram certo) são os que conseguiram enxergar com clareza as necessidades humanas.

A marca de roupas californiana, Patagonia, por exemplo, usa apenas poliéster reciclado e algodão orgânico na confecção de suas roupas, bem como doa 1% de toda a renda obtida para grupos ambientais que lutam contra o avanço da maré.

A Dell, empresa americana de hardware, embora já estabelecida no mercado, está criando um novo modelo de negócio, que retira plástico dos oceanos para fabricar parte de seus componentes.

Ambas as empresas, além de definirem seus negócios com base na sustentabilidade, estão usando a lógica de rede.

Ou seja, pautada no sistema colaborativo, onde todos os membros internos (funcionários) e externos (fornecedores e consumidores) são responsáveis pela construção de um processo mais sustentável e aberto à inovação.

 

Sustentabilidade na cadeia de Compras

Na cadeia de compras, sustentabilidade não se limita às questões ambientais e fiscais. Estabelecer um relacionamento sustentável com os fornecedores, com olhar atento aos seus níveis de satisfação, é igualmente importante.

Para isto, é necessário promover o olhar holístico nas relações de trabalho, nas relações com investidores (stakeholders) e considerar todas as questões de ética e integridade.

Um exemplo de modelo que não se aplica a esta realidade é a indústria têxtil, que ainda utiliza mão de obra escrava em virtude de sua produção barata e em larga escala.

O objetivo é que os negócios do fornecedor estejam caminhando tão bem quanto os do comprador.

 

Fornecedor é o caminho para a inovação

Como mencionamos acima, sustentabilidade também tem a ver com a satisfação do fornecedor e o quanto esta relação pode ajudar no desenvolvimento de ambas as partes.

Eduardo abordou em sua palestra como a Procter & Gamble, Nestlé, Johnson & Johnson e outras marcas de bens de consumo estão criando mecanismos de inovação aberta, uma vez que perceberam que seus fornecedores são uma potência em inovar.

A P&G, por exemplo, tem 1.500 colaboradores nas equipes de inovação da empresa. Já seus 15 principais fornecedores somam mais de 55.000 pessoas na área de pesquisa e desenvolvimento.

O resultado deste programa é claramente positivo: 35% da inovação que vai para o mercado provêm de seus fornecedores e a área de P&D ficou 60% mais eficiente.

De fato, o Open Innovation é uma ferramenta poderosa de sustentabilidade, que catalisa a construção de uma rede de valor inovadora e eficiente. E inovação e eficiência são peças-chave para a consolidação de uma marca no mercado do futuro.

 

As 3 lógicas da tomada de decisão do fornecedor

De acordo com o conceito do sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman, estamos inseridos na modernidade líquida, marcada pela imprevisibilidade, fluidez e efemeridade das relações. Esta realidade também implica em mais complexidade e ambiguidade nas tomadas de decisões.

No sistema líquido, não existe mais divisão entre profissional, cidadão, chefe de família etc. As relações coexistem e, por isso, devemos considerar três lógicas para fazer escolhas mais conscientes e responsáveis na cadeia de compras:

1. Lógica do “E”:

Deve-se considerar a soma dos aspectos: preço e (+) qualidade e (+) rapidez e (+) entrega etc.

2. Lógica do Trade Off:

Por trás de profissionais existem pessoas reais, que anseiam por realizar negócios que façam sentido.

3. Lógica da Criação de Valor Compartilhado:

Parcerias que agreguem valor em longo prazo, mas que também proporcionem inovação disruptiva em primeira mão: valor líquido presente.

 

Encare a relação com seu fornecedor como uma jornada

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A construção de rede traz potência, mas também muitas responsabilidades ambientais e sociais. Afinal, ao definir uma compra, o profissional internaliza as externalidades, uma vez que suas decisões causam impactos dentro e fora da empresa.

Definir uma jornada aumenta a assertividade do processo, bem como a satisfação e o engajamento de todas as partes envolvidas.

 

Sustentabilidade amplia a visão de gestão, que, por sua vez, também amplia a consciência e desperta mudanças.

Segundo John Nash, gênio da matemática, “os melhores resultados acontecem quando todo mundo no grupo faz o melhor tanto para si quanto para o próprio grupo”.

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