A sustentabilidade vai muito além de aspectos sociais e ambientais. Ela também ajuda na competitividade das empresas e é uma tendência para o procurement. Para explicar esse conceito e examinar sua aplicação e importância nas aquisições das empresas, o Mercado Eletrônico promoveu hoje um painel gratuito com Eduardo Sanches, sócio da Diagma e especialista em supply chain management com experiência em sustentabilidade aplicada a procurement e supply,  Marcelo Pereira, diretor de gestão de fornecedores do ME e André Kerbauy, diretor comercial do ME.

Em um momento em que as empresas têm ampliado seu compromisso com práticas de responsabilidade corporativa e corresponsabilidade em suas cadeias de valor, cada vez mais empresas têm buscado se conectar com os pilares da sustentabilidade, o triple bottom line: pessoas, planeta e lucro. Por isso, o evento contou com a participação de representantes de diversas empresas, interessados no tema.

Influência da sustentabilidade em compras

A importância da sustentabilidade nas compras corporativas vai além da atenção às suas próprias atividades de manufatura, transporte, distribuição e aquisição. Agora, as organizações precisam dar ênfase às ações de impacto social e ambiental, tanto do lado de dentro da empresa, quanto na contratação de fornecedores. E o procurement é parte do processo pelo qual as organizações podem produzir valor, influenciando e desenvolvendo a cadeia em prol de uma lógica mais responsável para os negócios.

Segundo Eduardo Sanches, existem muitas formas de uma empresa ser sustentável. Ela pode trabalhar na inovação, pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços,  repensando seus meios e métodos de produção, procurando, por exemplo, novos materiais para trabalhar, novas aplicações para os materiais, tecnologias para exploração de recursos com menos poluição e desperdício, transformando seus processos e práticas, tonando-os mais sustentáveis em grande escala e implementando uma nova mentalidade para sua cadeia de suprimentos.

Na maioria das cadeias de suprimentos, grande parte dos relacionamentos entre comprador e fornecedor ainda são transacionais e a prática mais comum é a pressão de grandes fabricantes pela redução de preços, algo que já começa a mudar. A colaboração, outro assunto abordado no painel, é a chave para um relacionamento mais estreito que pode garantir a sobrevivência das empresas em períodos de recessão, graças à políticas de redução de riscos e incertezas do ambiente, conforme explicou Marcelo Pereira.

Gestão de riscos

Além dos riscos sociais e ambientais inerentes aos negócios, a governança costuma ser outro desafio para as cadeias de suprimentos. De acordo com Pereira, a gestão do risco é uma das camadas da sustentabilidade. Por isso, uma gestão estratégica voltada à sustentabilidade deve estar ligada a processos eficientes de gestão riscos, desde o saneamento dos dados cadastrais dos parceiros até a avaliação da reputação de fornecedores e seus executivos.

O estudo “Risco de Terceiros”, realizado pela Thomson Reuters, entrevistou empresas em nove países e revelou que apenas 55% das pesquisadas brasileiras fazem análise de risco dos seus subcontratados. Esses dados reforçam a falta de conhecimento em relação à reputação de seus fornecedores (práticas de corrupção, uso de mão de obra irregular etc.), o que pode resultar, inclusive, em punições legais para as companhias contratantes.

Tecnologia e automação de processos para empresas mais sustentáveis

Transformar processos e práticas por meio da tecnologia também é uma forma de promover a sustentabilidade. Por envolver um maior grau de colaboração e engajamento entre todas as partes de uma cadeia de suprimentos, muitas empresas adotaram uma interpretação própria de compras sustentáveis e desenvolveram ferramentas e técnicas para apoiar esse engajamento e colaboração como a automação. Trata-se da era das Compras 4.0.

Além de otimizar processos, reduzir custos operacionais, monitorar efetivamente os riscos e compliance e promover a maior colaboração com fornecedores, como explicou Pereira, a tecnologia para tornar processos automáticos ajuda a estabelecer uma nova relação com o fornecedor. Pereira ainda fez uma demonstração da ferramenta e apresentou dois cases de sucesso de projetos de sustentabilidade com o uso da tecnologia.

Um exemplo abordado no painel foi a solução de RFx desenvolvida pelo Mercado Eletrônico. A ferramenta trata todo o processo de negociação, desde compras spot a compras mais complexas, e ajuda empresas a reduzir custos, analisar gastos detalhadamente e melhorar o gerenciamento de recursos internos e externos de uma forma inteligente, simples e sustentável. Durante o evento, Kerbauy mostrou de forma prática como a solução de RFx está integrada à gestão de fornecedores. O comprador pode tomar decisões mais assertivas na hora de escolher os fornecedores para o seu processo, na medida em que consegue visualizar a performance de cada empresa.

O evento finalizou com um debate entre os participantes que comentaram sobre o crescimento da importância das inciativas sustentáveis nas empresas.