“A fábrica do futuro será composta por dois funcionários: um homem e um cachorro. O homem para alimentar o cachorro. O cachorro para impedir que o homem mexa nas máquinas”.

Foi com esta mensagem que o alemão Holger Schiele, professor da University of Twente Initiative for Purchasing Studies, na Holanda, iniciou sua palestra sobre Compras na Indústria 4.0 no ME B2B Summit. Foram 40 minutos de muita informação e reflexão sobre o futuro do mercado e uma certeza: quem não cumpriu a tarefa de casa da Terceira Revolução Industrial não estará apto a fazer parte da quarta.

 

A história das Revoluções Industriais

À medida que a população aumentou e o trabalho se tornou parte fundamental da vida, foi necessário criar alternativas para deixar a rotina mais prática e produtiva. Isto explica as 4 revoluções industriais ao longo da história.

Primeira Revolução (1760-1840): marcada pela implementação das máquinas à vapor e da mecanização das tarefas, que antes eram manuais.

Segunda Revolução (1850-1870): introdução da eletricidade e das linhas de produção nos processos industriais (início da manufatura em massa).

Terceira Revolução (segunda metade do século 20): automatização de processos, devido à chegada da informática, internet e tecnologia da informação.

Quarta Revolução (atualmente): marcada pela comunicação máquina-máquina e integração dos mundos físico, digital e biológico com o uso das tecnologias 4.0.

É importante lembrar que uma revolução apenas é denominada como tal, quando as inovações técnicas são aplicadas e transformam a maneira como as sociedades se organizam.

 

Quarta Revolução Industrial e as Tecnologias 4.0

Sistemas cibernéticos, robótica, computação em nuvem, big data, analytics, machine learning, inteligência artificial, internet das coisas são algumas das tecnologias definidas como 4.0 e que alavancam a quarta revolução industrial da história. Esta que mudará o mundo como conhecemos hoje.

Pela primeira vez, sistemas cyberfísicos estabelecem a união dos mundos físico e digital, proporcionando comunicação autônoma entre máquinas. Este cenário caminha para a automatização total das fábricas e independência da mão de obra humana. Segundo Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial, “estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”.

 

A aplicação do 4.0 em Compras

Um sistema óptico, implementado em um computador Raspberry Pi, que avisa quando o sabão do banheiro está no fim, e demanda, automaticamente, mais suprimento ao fornecedor. Este é um dos projetos desenvolvidos por Holger na University of Twente Initiative for Purchasing Studies.

Este exemplo de geração de demanda automática é a definição da Indústria 4.0 aplicada e, para o professor, é apenas uma amostra do que ainda está por vir. Em um futuro bem próximo, compradores e fornecedores serão avatares negociando entre si, garantindo otimização nas compras e nos contratos de vendas entre empresas.

Esta automatização de processos confere à área de Compras mais facilidade e assertividade: (1) na geração de demanda; (2) na negociação; (3) na análise de riscos, ajudando fornecedores e compradores a alcançarem altos níveis de satisfação.

 

Fornecedor feliz é essencial para os negócios

Segundo Holger, na Alemanha, é o fornecedor que escolhe com quem quer trabalhar. A aplicação do 4.0 em Compras torna o relacionamento comprador x vendedor mais sustentável, uma vez que a demanda urgente e desesperada dá lugar à planejada. O fornecedor se vê em um ambiente onde pressão e pressa não são rotina, sentindo mais vontade de colaborar com a empresa solicitante. O resultado, claro, é mais sucesso para ambos os lados.

 

Muitas especulações giram em torno da Indústria 4.0. Questões éticas, robôs tomando o lugar de humanos, desemprego em massa, mas a verdade é que, embora muito se tente, é impossível prever o que realmente acontecerá. Para a área de compras B2B, em específico, é importante entender que a automatização dos processos tem como finalidade aumentar a satisfação do fornecedor, que é uma condição necessária para o sucesso dos negócios.

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