Desenvolvedora do Mercado Eletrônico fala sobre importância das mulheres na profissão

Você sabia que o termo “bug”, que indica um erro no sistema computacional, foi criado por uma mulher? É com essa história que Grace Hopper (1906-1992) costuma ser lembrada. No entanto, a primeira mulher do mundo a se tornar PhD em matemática coleciona outros feitos no campo da tecnologia. Grace colaborou para criar o COBOL, a primeira e maior calculadora digital automática de larga escala, além de ter desenvolvido linguagens de programação para o UNIVAC, o primeiro computador comercial fabricado nos Estados Unidos.

E não é só isso. As mulheres sempre estiveram presentes em fatos históricos que envolvem grandes realizações tecnológicas. Para lembrar de alguns, a primeira pessoa a programar no mundo foi a britânica Ada Lovelace (1815-1852) e a equipe que programou o ENIAC, o primeiro computador eletrônico da história, contava com seis mulheres pioneiras, em uma época em que completar o curso universitário por si só já era uma vitória.

Apesar da força de trabalho mundial ser predominantemente masculina, valorizar o trabalho das mulheres, ainda minoria nos cursos de computação, ajuda a inverter a lógica de uma sociedade que sempre relacionou o sucesso com computadores apenas aos homens. Mas essa história, aos poucos está sendo reescrita.

A analista programadora do Mercado Eletrônico, Kamilla de Almeida, 30 idade, acredita que o setor de tecnologia tem dado passos importantes em direção à inclusão feminina. “O mercado de TI evolui nitidamente em relação a aceitar mulheres em cargos que antes eram, em sua grande maioria, executados por homens”, contou. “Hoje temos nosso espaço e somos valorizadas. Ainda assim, algumas vezes nós mulheres temos que provar nossa competência não só uma vez, mas duas, três e por aí vai”.

O primeiro contato de Kamilla com a informática aconteceu pouco antes de entrar na adolescência, quando seu pai recebeu um computador como forma de pagamento em sua loja de automóveis. “Era o início do boom dos PCs, mas não tínhamos internet. Assim, meu irmão e eu desmontamos o computador todo e adivinhe? Eu adorei!”, revelou.

Já no Ensino Médio ela teve a comprovação de sua vocação. “Logo no primeiro ano me candidatei ao estágio para uma bolsa de estudos, sendo selecionada como monitora dos laboratórios”, falou ela, que desde sempre trabalhou como desenvolvedora de sistemas até chegar no ME em 2016.

Atualmente existem diversas iniciativas para mulheres que desejam seguir a mesma trajetória de Kamilla. O projeto RodAda Hacker, por exemplo, é uma oficina de programação voltada para o sexo feminino. Outro projeto interessante é o Technovation Challenge, uma competição global voltada para o empreendedorismo tecnológico para meninas do Ensino Médio. Já a Universidade de São Francisco, nos Estados Unidos, oferece anualmente programas de uma semana para alunas de segundo grau durante os cursos de verão.

No Brasil, o Women in Information Technology (WIT) é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Computação para discutir os assuntos relacionados a questões de gênero e a Tecnologia de Informação no Brasil. Universidades como a USP e a UNICAMP também mantêm projetos nas diversas áreas da computação.

Para comemorar o Dia Internacional das Mulheres, batemos um papo com Kamilla, que nos contou sobre seu dia a dia na área da tecnologia:

O que te atraiu para sua área de atuação?
Tive contato com a informática pouco antes de entrar na adolescência, quando meu pai recebeu um computador como forma de pagamento em sua loja de automóveis. Era o início do boom dos PCs, mas não tínhamos internet. Assim, meu irmão e eu desmontamos o computador todo e adivinhem? Eu adorei! Depois disso, no ensino médio, busquei a área de informática, pois me sentia à vontade e confiante, tanto que no primeiro ano me candidatei ao estágio para uma bolsa de estudos, sendo selecionada como monitora dos laboratórios.

Analisando a profissional que você era antes de entrar no Mercado Eletrônico, o que mudou?
Os desafios enfrentados no ME contribuem bastante para meu crescimento profissional, além do aprendizado adquirido pelo trabalho em equipe. Isso faz com que diariamente eu ganhe experiência e conhecimento, o que reflete diretamente no meu desenvolvimento de competências e habilidades.

Para você, como é trabalhar no Mercado Eletrônico? Indicaria um colega ou familiar a trabalhar aqui?
O respeito, o reconhecimento e o trabalho em equipe aliados ao work-life balance e a liderança inspiradora são grandes diferenciais do ME, que tornam o ambiente de trabalho leve e prazeroso. Sem dúvida indicaria alguém para trabalhar no ME, pois me sinto à vontade e o ambiente para desempenhar as tarefas cotidianas é inspirador.

Quais os principais desafios no seu trabalho diário e como você faz para vencê-los?
O principal desafio é conciliar o desenvolvimento de novas funcionalidades para que não afetem o desempenho geral do sistema, resultando em diversas reflexões e planejamento.

Quais são as linguagens de programação que você prefere e por quê?
Já trabalhei com diversas linguagens e tecnologias, como vb, asp, .net/c#, javascript/jquery, diversos bancos de dados etc… Sempre me adaptei muito bem à plataforma Microsoft. Acredito que a produtividade é maior com as ferramentas e arquiteturas disponíveis.

Que mensagem gostaria de mandar para as mulheres que desejam iniciar na sua área de atuação, em especial para as mulheres que desejam ingressar na área de TI?
O que eu tenho a dizer é, mostre que você é capaz, independentemente de você ser a única mulher na sala.

Para você, ser mulher é….?
Enfrentar desafios de frente e vencer obstáculos, sem perder a feminilidade.

Qual é a importância de ter cada vez mais mulheres na sua área?
Acredito que nós mulheres temos muitas qualidades a nosso favor como criatividade, equilíbrio e sensibilidade, trazer isso para o ambiente de trabalho é bem importante. Essa diversidade é fundamental para garantir uma melhor produtividade e troca de experiências.

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